Como vemos as artes marciais e o Hapkido

Antes de entrar no tatame, uma reverência em respeito ao espaço, aos ancestrais e ao mestre. O Hapkido exige mais do que a prática de exercícios físicos, movimentos do corpo e técnicas de articulação. Na arte marcial, envolve-se a concentração espiritual e mental, para que todos os praticantes tenham a sincronia de corpo, mente e espírito. Cada sílaba da palavra tem um significado: Hap representa a união, ki, quer dizer energia interior e do, indica caminho. Logo, Hapkido é o caminho da união da energia interior.

Segundo o professor do Instituto Tigre Coreano, Isac Trindade (nascido em 1981), existem diversos estilos e técnicas de Hapkido. Entre elas destacam-se as técnicas contundentes (chutes e socos), manipulação, articulação, desequilíbrios e projeções do corpo com armas clássicas (espada, bastão, leque) para defesa pessoal. “O Hapkido é uma arte marcial muito abrangente. Cada mestre dá ênfase a um determinado segmento, ou seja, uns se especializam em armas, outros em chutes, outros em luta, mas, tudo é Hapkido, no fim das contas”, explica.

Conforme o presidente da Confederação Brasileira de Hapkido Interestilos e Grão Mestre, Valdir Eufrazio, a arte marcial já é difundida no Brasil e é uma prática completa e complexa, com suas variáveis de técnicas voltado a defesa pessoal. “Em todos os polos de treinamentos na segurança pública e privada e também nas Forças Armadas Brasileira é ministrado aulas de Hapkido. Hoje temos ótimos mestres e instrutores de norte a sul, leste a oeste”, afirma.

O Dojang , espaço de treino da modalidade, é o local onde se alcança a iluminação. Por esta razão, antes da prática, é realizada uma reverência de saudação aos antepassados, aos mestres e tudo o que possibilitou para o praticante estar presente. De acordo com o mestre do Instituto Tigre Coreano Giovani Andreoni (nascido em 1973), a saudação feita ao Dojang faz parte da cultura oriental. “A reverência é um processo de agradecimento ao Brasil, que é a minha pátria, aos meus pais que me deram a vida, aos meus antepassados e aos mestres, porque sem eles não haveria isso aqui”, justifica.

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Hapkido como estilo de vida

O Hapkido motiva os praticantes e os inspira pela busca e descoberta de si mesmos. Treinar não é fácil, pois exige tempo e força de vontade para alcançar méritos e se graduar conforme as faixas. O mestre Giovani Andreoni começou a praticar quando estava interessado em outra arte marcial, o Aikido. Por influência de um amigo que lhe apresentou a modalidade, despertou o interesse e, desde então, se dedica diariamente a esta atividade. Faz 18 anos que integra às práticas.

Na época, Andreoni procurou a atividade porque estava acima do peso. “O Hapkido mudou a minha vida. Eu comecei a praticá-lo para emagrecer, por causa do meu físico, mas a arte me levou pra outro objetivo, que era o autoconhecimento.” Antes dessa arte marcial, ele praticou judô, karatê kyokushin, kickbox, full contact, mas que nunca se identificou com nenhuma das modalidades, somente o Hapkido.

Para o mestre Giovani, um dos maiores benefícios adquiridos desde que começou a praticar Hapkido foi a descoberta de si mesmo. Ele exemplifica um ditado das artes marciais, que diz “vencer a si mesmo para vencer qualquer inimigo.” Segundo ele, depois de todo o tempo de treinamento, a frase vai contra seus pensamentos. “É conhecer a si mesmo, ser compassivo com si mesmo, e quando finalmente tu conseguir te entender e te abraçar, os teus inimigos desaparecem. Porque na verdade o grande problema que nós temos somos nós mesmos.”

“O Hapkido é minha filosofia de vida. Eu não sou artista marcial só quando subo no tatame, a filosofia das artes marciais faz parte da minha vida diária. A vontade de dormir uma pessoa melhor que a pessoa que acordou de manhã, isso tudo eu aprendi no Hapkido, não desistir apesar das adversidades, tudo, tudo mesmo é Hapkido, para mim”, diz Isac Trindade.

Categorias do Hapkido

De acordo com a Federação Riograndense de Hapkido Olímpico, as graduações são divididas em níveis básico, intermediário e avançado. A mudança de categoria é realizada conforme a evolução do praticante no Hapkido. De acordo com o mestre Giovani, no Instituto Tigre Coreano existem oito faixas coloridas e os alunos vão avançando conforme a absorção dos princípios das artes marciais adquiridos ao longo dos treinos. “Todo praticante que começa no Hapkido precisa ter ciência de que ele não tem base suficiente. No nível básico, o aluno aprende a respirar, se movimentar e articular corretamente”, explica.

Para se tornar um faixa preta, o praticante deve perceber que suas técnicas já estão em um nível onde é preciso atenção, cuidado e respeito aos demais colegas de treino. Segundo o mestre Giovani, existem fatores que determinam se o praticante está apto a graduar-se como faixa preta. Entre eles, a capacidade de percepção, resistência física e intelecto espiritual. “A diferença de um faixa preta para um colorida é que ele vai lutar com qualquer pessoa de forma moderada. Mas, para isso, ele precisa estar com a mente, o corpo, e o espírito alinhados e isso é só depois de muito treinamento.”

“É conhecer a si mesmo, ser compassivo com si mesmo, e quando finalmente tu conseguir te entender e te abraçar, os teus inimigos desaparecem”, reitera Giovani Andreoni, mestre de Hapkido.

Fonte: matéria de Matheus Miranda

Sabomnin (mestre) Giovani Andreoni

Mestre Giovani Andreoni é natural de Porto Alegre/ RS e iniciou sua prática nas artes marciais aos sete anos de idade, incentivado por seu pai, Firmino Andreoni, já falecido. Teve contato com algumas artes marciais que lhe deram base para aos 27 anos, iniciar o Caminho da energia harmoniosa, o Hapkido.

Foi aluno do Kwan Jang Nim Alexandre Baby Gomes (6ºdan Kido Hae e fundador do Um Yang Kwan Hapkido) com quem se graduou 4ºdan. Com a prática aprofundou-se no estudo das técnicas de KopSo Sool (técnica de pontos de pressão) e Ne Gong (energia interna), juntamente com o estudo do Do-In, Shiatsu e Seitai.

Por crer que a arte marcial é uma via de autoconhecimento e elevação do ser, Sabom Nim Giovani, além do estudo da medicina oriental, iniciou a prática do Zen Budismo, sob a tutela da Monja Isshin Havens, da tradição Soto Zen.

Teve seu primeiro contato com as técnicas de Kum Sool (espada do Hapkido) no ano de 2002, que o levou a pesquisa e busca do aprimoramento técnico, conhecendo assim o Haedong Kumdo, arte coreana do uso de espadas.

Em agosto de 2006 iniciou o treinamento sob a orientação do Grão Mestre Seong-Kim Jeong (10ºdan UWHKF) e juntamente com outros praticantes, fundou a Federação Brasileira de Haedong Kumdo (FBHK), entidade que está filiada à United World Haedong Kumdo Federation.

Em 2007 trouxe ao Brasil o Grão Mestre Seong-Kim Jeong para o primeiro exame de faixas pretas e recebeu a graduação de terceiro dan internacional, devido a sua excelente técnica com uma e duas espadas. No ano seguinte, realizou o primeiro Festival Internacional de Haedong Kumdo na cidade de São José/SC, tendo participantes dos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Ceará, no qual também participaram praticantes da Coreia do Sul e Argentina.

É o fundador e administrador do Centro de Cultura Oriental Tigre Coreano, onde ministra aulas de Hapkido e Haedong Kumdo. Atuou como instrutor em uma série de cursos e seminários voltados para a área da Segurança e Defesa Pessoal. Dentre eles: Treinamento de agentes de seguranças do Trensurb (RS), Treinamento dos agentes de segurança do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-4 RS); Treinamento de Bastão policial para a Polícia Militar de Camboriú (SC);

Treinamento em Defesa pessoal para os agentes de trânsito de Eldorado do Sul (RS); Treinamento em Defesa com facas e uso do bastão tático para os Agentes de Segurança da REFAP em Canoas/ RS e é Instrutor da Gates School, Canoas/ RS. Sabom Nim Giovani conta com alunos de Hapkido e Haedong Kumdo dentro e fora do Brasil; nos estados de RS, SC, PR, SP, RJ e CE, e também nos Estados Unidos.

Fonte: Livro Grandes Mestres das Artes Marciais do Brasil

Sabomnim Giovani Andreoni